MICOSES SISTÊMICAS | PARACOCCIDIOIDOMICOSE

Mild Paracoccidioidomycosis Misdiagnosed as a Subcutaneous Mycosis.

Mycopathologia 2019,184 (3): 455-456.

Priscila Marques de Macedo, Dayvison Francis Saraiva Freitas, Leonardo Pereira Quintella, Rosely Maria Zancope´-Oliveira, Rodrigo Almeida-Paes, Antonio Carlos Francesconi do Valle.

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COMENTÁRIO:

 

Paracoccidioidomicose – caso diagnósticado como micose subcutânea – Mycopathologia  2019 

O presente relato de caso destaca o papel do diagnóstico diferencial de micoses, principalmente nos casos em que a pele pode ser o primeiro sinal de uma doença sistêmica. Paciente masculino de 35 anos, agricultor, de uma cidade do interior do estado do Rio de Janeiro, foi encaminhado ao hospital relatando um ano de lesão no dedo, diagnosticada clinicamente como esporotricose. Na admissão, ele apresentou uma ulceração superficial extensa e dolorosa em seu quarto quirodáctilo direito. Foi realizada biópsia de pele e Paracoccidioidomicose (PCM) foi diagnosticada pelo exame micológico direto, histopatologia, isolamento de fungos em cultura. A radiografia de tórax não revelou anormalidades pulmonares, contudo, a tomografia computadorizada mostrou reticulação e leve infiltrado no lobo superior direito. A radiografia da mão direita não mostrou lesões líticas. Itraconazol foi prescrito, mas uma erupção cutânea ocorreu 5 dias após a introdução da medicação. O co-trimoxazol foi prescrito por 24 meses e o paciente progrediu com cura clínica, sorológica e radiológica.Deve-se atentar para o fato de que o diagnóstico clínico inicial foi esporotricose. Como o paciente apresentou reação alérgica ao itraconazol, este diagnóstico incorreto poderia ter levado à prescrição equivocada de terbinafina, em vez de co-trimoxazol, dificultando a melhoria da lesão e prolongando a doença. O envolvimento cutâneo foi a primeira e principal apresentação clínica da PCM, neste caso, desempenhando papel importante no diagnóstico. A esporotricose foi considerada como possível diagnóstico devido ao aspecto clínico da lesão, mas também devido a características epidemiológicas, como a grande epidemia de esporotricose, que ocorre no Rio de Janeiro desde 1998.